Categoria
Cenografia Live Design
Ano
2024

O espaço de “Perfeita!” foi desenhado para materializar a crise iminente na estrutura social de um futuro distópico. A inovação e os avanços tecnológicos, embora promissores, não foram suficientes para criar um futuro sustentável, estável e igualitário. Ao contrário, resultaram em uma situação de tensão extrema, onde o verdadeiro problema não é a inteligência artificial, mas a soberba humana e a incapacidade de superar suas próprias diferenças. Nada é fixo ou seguro e a desconstrução do espaço físico reflete o colapso interno do poder, revelando a farsa do controle absoluto. O cenário, assim, torna-se uma metáfora viva da decadência do poder e expõe a fragilidade das estruturas sociais e morais.

A cópia surge como um corpo estranho, um elemento dissonante que gradualmente se torna o grande catalisador da queda das estruturas. Representando o desafio de conceber corpos físicos em um futuro cada vez mais abstrato e digital, sua presença evoca questões profundas sobre a natureza da identidade e da perfeição. A tensão entre imagem e cópia é evidente, enquanto seus pesos e contrapesos estão expressos na construção do espaço. As deformações e os vícios humanos emergem como os verdadeiros protagonistas, fazendo-nos questionar qual tipo de futuro decadente estamos construindo quando a humanidade é consumida pela sua própria arrogância.

Mesmo sendo uma imagem projetada para ser impecável, é através de suas deformações e falhas que ela revela algo inquietante. Como uma imagem pode, ao mesmo tempo, parecer perfeita e mostrar tantas imperfeições? A resposta a essa pergunta aponta para o papel que ela desempenha na ruína de um sistema aparentemente sólido.